A social-democracia é possível?

Terceira parte da entrevista de Claus Germer.

A social-democracia é possível?

Claus Germer: Os países com melhor IDH do mundo hoje em geral são adeptos de modelos “amenizados” de capitalismo, como a social-democracia. Noruega, Suécia, Canadá primam pela redistribuição de renda, impostos altos e programas de assistência social. Esse parece ser o caminho hoje? Ele se aplica ao Brasil?

Creio que todos gostariam que todo o mundo pudesse seguir o modelo destes países. Infelizmente isto é impossível, pelo menos no capitalismo. Estes países englobam uma diminuta parcela da população mundial e fazem parte da elite capitalista do mundo.

Os países centrais, entre os quais estão os citados na pergunta, constituem talvez uns 20% da população mundial (parte dos quais são, por sua vez, assalariados), mas absorvem algo como 80% da renda gerada em todo o mundo, em números aproximados. O capitalismo é um sistema mundial.

Cada país, cada região, constitui uma peça do sistema global e desempenha uma função neste sistema. Em cada país, e no mundo como um todo, a população divide-se em dois grandes polos: o polo dos ricos ou capitalistas, e o polo dos pobres ou dos trabalhadores. Nenhum dos dois existiria sem o outro.

Pode-se fazer analogia com as cidades em qualquer país, que possuem bairros ricos, onde residem principalmente empresários ou executivos de alto nível, e bairros pobres, onde se concentram as massas de operários e trabalhadores em geral.

Os países capitalistas centrais, como os citados na pergunta, são como bairros mundiais nos quais se concentram os proprietários dos grandes capitais mundiais. Empresas dos países centrais citados na pergunta operam nos países periféricos do mundo e de lá extraem recursos naturais e lucros, de diversos modos, que remetem aos seus países de origem. Investem globalmente nos setores industrial, comercial e financeiro.

No capitalismo é impossível que todos os países sejam como a Suécia e os outros países citados, porque não é possível haver ricos muito ricos sem que haja pobres muito pobres, porque são estes últimos que produzem a riqueza que se concentra nas mãos dos ricos.

Do mesmo modo é impossível que, em uma cidade, todos os bairros se convertam em bairros de ricos empresários, pois, neste caso, quem trabalharia nas fábricas, nos supermercados, nos bancos, etc?

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