8 de Março. Mais um Dia.

por Rafael Giuvanusi no Individualmente Popular

8 de março, Dia Internacional da Mulher. Hoje é o dia em que saudamos as mulheres que conhecemos, damos parabéns pela seu dia, abraçamos, damos atenção, alguns até presenteiam. O dia marcado para reconhecer a luta da mulher ao longo dos anos serve para confirmar o espaço conquistado por ela. Mas será mesmo? E nos outros dias do ano?

Essa conquista sofrida das mulheres só é reconhecida hoje, e pior, nesse ano é carnaval. Será que alguém lembrará? Para alguns, o espaço adquirido por elas torna-as como os homens, devem trabalhar arduamente até que essa sociedade machista em que vivemos consiga ver o suor do trabalho que escorre nesses milhares de rostos. Exemplo de luta não falta. A mãe acorda cedo para arrumar os filhos, enquanto o marido dorme só mais dez minutos. Isso quando não vai trabalhar mais tarde, pois seus companheiros lhe dão melhores condições de escolha de emprego e salário. A irmã anda como santa até determinada idade, para não parecer promíscua, enquanto o irmão apronta aos montes e ainda é elogiado pelo grupo de amigos, como diz minha avó, “lavou tá novo”. A senhora, já idosa, perde seu respeito quando resolve voltar a viver, já um senhor idoso precisa de uma segunda chance na vida.
A sociedade dos machos, dos verdadeiros homens, não tem capacidade de oferecer um assento à uma gestante, quanto mais julgar uma mulher. Quando muitas dessas fêmeas cuidam de suas crias sozinhas, por que um “homem” de verdade as deixou para trás, são consideradas guerreiras. Mas quando resolvem viver a vida após terem os filhos criados, são dadas como desvirtuadas, mães desnaturadas. Até quando vamos realmente valorizar as mulheres como merecem, e parar de vê-las apenas como mais um grupo tentando conquistar prestígio?
Quantas Dilmas, Hillarys, Marinas, Ângelas, quantas Marias, Julias, Antônias e afins, precisaremos pra mostrar que pensamos como seres do século XXI, e não como a sociedade medieval (que o diga Joana D’Arc)? Quantas mais como Fernanda Amorim serão necessárias para que se entenda que o futebol não é mais coisa exclusiva do público masculino? Até quando continuaremos confundindo delicadeza com fragilidade? Pois de frágeis não tem nada, suportam a dor do parto até a dor do desgosto, quando veem toda uma luta desmerecida por aqueles a quem só delas dependiam para existir.
Nesse dia 8 de março de 2011, desejo a todas as mulheres um ano de real valorização, e não os velhos cumprimentos educados de homens que temem perder seu lugar ao Sol.

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