Curitiba tem a rua mais cara do mundo: R$ 19 milhões o km


Quem assegura é o ex-prefeito e pré-candidato à prefeitura, Rafael Greca, para quem a Linha Verde também pode ser conhecida como Lesma Verde.

Questionado sobre os frequentes congestionamentos enfrentados por motoristas na Linha Verde, o ex-prefeito de Curitiba, Rafael Greca, fez duras críticas ao empreendimento de mobilidade urbana, parcialmente inaugurado na gestão de Beto Richa.

Segundo Greca, a Linha Verde é a “rua mais cara do mundo”, com um custo estimado em R$ 380 milhões. Cada quilômetro pavimentado (20 km previstos no projeto inicial), de acordo com o peemedebista, tem o custo de R$ 19 milhões para os cofres do município.

“A Prefeitura, na gestão de Richa e de Ducci, consumiu todos os recursos programados para a Linha Verde, a ponto de o prefeito Luciano Ducci, viajar para Brasília, para pedir mais recursos de empréstimos federais para o senador Roberto Requião”, frisou.

Greca informou ainda que dos 20 quilômetros prometidos de pista, apenas nove quilômetros foram pavimentados. E, segundo ele, ainda faltam 15 trincheiras para serem construídas, conforme o projeto original.

Rafael Greca atribui à paralisação do trânsito, nesse trecho da pista, pelo fato da prefeitura ainda não ter construído as transposições necessárias, nem as trincheiras previstas, ao longo da rodovia.

É bom lembrar que surgiu nesta semana a informação de que a Linha Verde – ou Lesma Verde -, obra que reelegeu Beto Richa em 2008, teve em sua construção a participação da Delta Construção, do “empresário” Fernando Cavendish, envolvido com a máfia de Carlinhos Cachoeira, alvo de investigação de CPI no Congresso Nacional.

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A primeira investigação sobre a imprensa na história do Brasil


Por Eduardo Guimarães, no Blog da Cidadania*

CPI do Cachoeira, CPI da empreiteira Delta, CPI do Agnelo… A mídia passou dias e dias construindo versões sobre o foco que terá a Comissão Parlamentar Mista de Inquérito que ela mesma disse que não sairia porque, pasme-se, “o governo” teria “medo” da investigação.

As ameaças dos meios de comunicação de inverterem o foco da CPMI e de jogá-lo contra os partidos da base aliada e contra o governo Dilma de fato surtiram algum efeito. Parlamentares de todos os partidos se preocuparam. Mas a preocupação decorreu da campanha midiática. Ponto.

Todavia, essa investigação tem tanta chance de se voltar para a relação da Veja com o esquema Cachoeira quanto contra qualquer outro alvo.

Jornalistas de alguns grandes meios de comunicação, sobretudo os da Folha de São Paulo, começaram a tocar no assunto como este blog previu que fariam. Ao tratarem das relações da Veja com Cachoeira, dizem o óbvio: criminosos podem, sim, ser fontes da imprensa.

Alguns desses jornalistas reconhecem que tiveram contato com Cachoeira e explicam que foram contatos fortuitos, o que os torna explicáveis. Agora, no caso da Veja, não. São CENTENAS de ligações e sabe-se lá quantos encontros presenciais.

Quando um jornalista fala com uma fonte criminosa uma vez, cinco vezes, dez vezes, é uma coisa. Quando fala CENTENAS de vezes, é casamento.

Eis, aí, o potencial da CPMI que transpareceu da clara resposta que, ao aprová-la maciçamente, o Congresso deu a uma imprensa que dizia que o Poder Legislativo abafaria o caso. E esse potencial é o de, pela primeira vez na história, a imprensa sentar-se no banco dos réus.

Uma fonte muitíssimo bem informada me diz que anda por volta de mais de duas centenas de parlamentares o contingente deles que tem a imprensa atravessada na garganta. E claro que dirão que isso ocorre porque são todos corruptos que temem o trabalho da imprensa livre, blábláblá.

O fato, porém, é o de que as gravações da Operação Monte Carlo revelam que ao menos no caso da Veja não se trataram de relações fortuitas com uma fonte, mas de um crime continuado.

Não há mera relação entre imprensa e uma fonte que possa assim ser caracterizada diante da descoberta de que aquele veículo falava várias vezes por semana, durante anos, com um criminoso, e de que a quadrilha desse criminoso deu TODAS as matérias que o veículo publicou contra o PT. Continuar lendo

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Charge: CPI do Cachoeira, por Aroeira


 

Faltou uma revista Veja caindo alí…

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O retorno de Beavis and Butt-Head


Já tem data e hora para a televisão brasileira ficar um pouco mais divertida.

Anote na agenda: a partir do dia 17 de abril, às 23h30, está de volta Beavis and Butt-Head, na tela da MTV. O desenho clássico, que teve sete temporadas nos anos 1990, ganhou 12 novos episódios no ano passado, com direito a tudo aquilo que sempre foi responsável pelo sucesso da série: humor ácido, comentários maldosos, as vozes inconfundíveis (o desenho continua legendado) e muitas bizarrices.

Ter Beavis and Butt-Head de volta é importante. Com a programação televisiva cada vez mais carente do tipo de humor esculachado que é característico da dupla, o desenho é de uma época em que as atrações da MTV norte-americana eram singulares e não apelavam para reality shows. “Esse retorno é emblemático tanto para os brasileiros quanto para os gringos. É o resgate de uma tevê mais visceral que Beavis representa”, diz o diretor de programação da MTV Brasil Zico Góes.

Crepúsculo
Durante os 14 anos em que Beavis and Butt-Head esteve fora do ar, muita coisa mudou no mundo e na MTV. Se antes a dupla tecia seus comentários maldosos e grosseiros a respeito dos videoclipes que estavam em alta na programação, foi preciso buscar uma nova fonte de referências – que não poderia ser outra senão a internet. “Acho que a principal mudança é que o assunto agora é mais abrangente. Agora eles metem o pau em programas de tevê e vídeos da internet. Eles, de alguma maneira, evoluíram”, considera Góes. Continuar lendo

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III Encontro Nacional de Blogueiros, 25 à 27 de maio, em Salvador (BA)


Democracia, redes sociais, jornalismo na internet, movimentos populares, Marco Civil da Internet, uma nova comunicação. Esses são alguns dos temas que estarão em discussão no III Encontro Nacional de Blogueiros Progressistas, de 25 à 27 de maio, em Salvador na Bahia.

A estrutura do evento, que deve reunir aproximadamente 500 ativistas digitais de todo o Brasil e de países vizinhos, já está quase toda montada. A comissão nacional organizadora do #BlogProg tem realizado os últimos esforços para garantir alojamento e refeição para todos os participantes.

A inscrição para encontro vai até o dia 11 de maio e pode ser feita clicando AQUI. O valor é de R$ 60,00 para os ciberativistas e de R$ 30,00 para estudantes.

Entre os convidados estão o cineasta, escritor e ativista norte-americano, Michel Moore, os ex-ministros Franklin Martins (Comunicação Social) e Gilberto Gil (Cultura), o jornalista francês Ignácio Ramonet do Le Monde Diplomatic, Amy Goodman, fundadora do movimento Democracy Now, além de vários personagens importantes do atual momento da comunicação e da internet no país.

A programação contará com palestras, seminários e discussões, espaços para oficinas autogestionadas – os interessados devem apresentar sugestões de temas e de debatedores até 4 de maio e ficam responsáveis pela iniciativa – e um ato em defesa da blogoosfera e da liberdade de Expressão, na Praça Castro Alves, região histórica da capital baiana.

Também haverá maior espaço para reuniões em grupo com o objetivo de intercambiar experiências, fazer o balanço das atividades no último período e traçar os próximos passos da blogosfera.

A programação e as inscrições podem ser feitas AQUI

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Pessoas mal educadas e infelizes com suas vidas são propensas a ficarem viciadas pelo Facebook


Facebook é um site com interface de hábitos, mas os usuários que passam muito tempo online dizem que se sentem menos felizes com suas vidas.

Cientistas da Universidade de Gotemburgo dizem que muitos usuários se transformam assim que fazem login no Facebook e que o hábito transforma-se em um vício.

Pessoas em grupos de baixa renda e mal educadas estão particularmente na faixa de risco do vício. Aproximadamente 85% dos usuários dizem que eles usam o Facebook diariamente – metade diz que entra no site logo quando se conecta a internet.

O estudo sueco entrevistou 1.000 pessoas com idades entre 18 e 73 anos, tentando mostrar o lado negro da rede social. “O Facebook pode se tornar um hábito inconsciente. A maioria dos entrevistados relatou que abre o site imediatamente quando abrem o navegador”, comentou Leif Denti, doutorando de Psicologia da Universidade de Gotemburgo.

As mulheres são mais ativas no Facebook do que os homens e pessoas de baixa renda e baixa escolaridade passam uma quantidade de horas superior às pessoas com uma condição financeira melhor e alto grau de ensino.

A outra surpresa sobre a rede é que as pessoas tendem a publicarem em seus perfis apenas coisas boas, negligenciando coisas ruins que ocorrem em suas vidas. “O Facebook é uma ferramenta social claramente usada para gerenciar relacionamentos com amigos e familiares”, comentou Denti.

“Mas os usuários não escrevem qualquer coisa – a maior parte do conteúdo que compartilham tem algo a ver com grandes eventos, coisas positivas e o fato de se sentirem bem e felizes. Apenas 38% escrevem sobre coisas negativas”, concluiu o cientista.

Fonte: Jornal da Ciência

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Jair Bolsonaro destila sua bestialidade em rede nacional


"Oi, cumpadi! Vai cumê uma galinhazinha?". "Não, já comi! Agora vô punhá ela di vorta no Pgalinhêro!"

No mínimo triste e lamentável a participação do deputado federal – além de babaca, parasita e psicopata – Jair Bolsonaro, no CQC de ontem. Antes do término do quadro, o tamanho da minha perplexidade era do tamanho da minha indignação. O parlamentar conseguiu, em 15 minutos, mostrar a que veio, destilando todo e qualquer tipo de preconceito e de intolerância. Mostrou e confirmou o que todos já sabiam: que sua filosofia se manifesta em sintonia fina às ideias conservadoras, neoliberais e imperialistas. Dizer que na ditadura brasileira não foi disparado um único tiro é atravessar todas as fronteiras da burrice e desrespeitar os familiares daqueles que foram fuzilados por um dos episódios mais atrozes de nossa história.

Pelas risadas fora de contexto, declarações absurdas e desinformação histórica, acredito, cegamente, que o nobre deputado deveria se submeter a um exame clínico psiquiátrico.

Triste, absurdo e beirando à loucura. Um ser insano, preconceituoso e que admitiu em horário nobre ter “comido” galinhas, no pior sentido possível. É esse tipo de gente que anda frequentando a política nacional. É esse tipo de caráter que se vale da imunidade parlamentar e aproveita o microfone livre – custeado com o dinheiro dos nossos impostos – para destilar preconceitos, ódios e bestialidades de todo gênero.

(Por Edson Rimonatto no Blog Lado B)

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Memórias Torturadas – A ditadura e o cárcere no Paraná estreia dia 29


É difícil responder à pergunta “que peça você recomenda no festival?” Mas um gênero que pode ser indicado, sem dúvidas, é o de peças apaixonadas. São trabalhos que partem de muita pesquisa e um ideal, como Memórias Torturadas – A Ditadura e o Cárcere no Paraná. A proposta partiu do ator Gehad Hajar, que também é pesquisador e estudou Direito, Ciência Política e Pedagogia.

Incomodado com uma enquete realizada em 2006 em que Curitiba mostrou ter o maior número de jovens brasileiros que desejam o retorno da ditadura militar, ele resolveu buscar histórias reais que jogassem luz sobre as agressões praticadas durante os anos de chumbo no Paraná. “É um tema que nunca foi trabalhado. É como se não tivesse acontecido”, disse Hajar à Gazeta do Povo.

A pesquisa começou no Arquivo Público do Estado, onde estão documentos do Departamento de Ordem Política e Social (Dops). Hajar também pesquisou em edições da época da Gazeta do Povo e no livro Memórias Torturadas e “Alegres” de um Preso Político, de Ildeu Manso Vieira.

“Fui o primeiro a abrir algumas daquelas pastas e vi um material riquíssimo. Inclusive documentos que provam que Che Guevara passou por Curitiba.”

Essa e outras informações foram sendo incluídas na trama, que se passa no único lugar julgado pela equipe como adequado: o Presídio do Ahú, por cujas celas passaram presos políticos na década de 70 durante a Operação Marumby, braço da Operação Condor – aliança de regimes militares na América do Sul para eliminar adversários políticos – no Paraná. Pela prisão desativada em 2006 já passaram os elencos da série O Astro, dos longas-metragens 400 contra 1 e Estômago e do curta A Fábrica.

Almas
O cenário e o horário escolhido (meia-noite) se somam para compor o clima de medo e mistério da peça, que começa ainda do lado de fora do presídio. Ao en­­trar pelos corredores gelados, o público ouvirá um áudio que remete à alma de um dos presos-narradores.

Dos torturados pesquisados, foram selecionados quatro como personagens. Ildeu, interpretado por Carlos Vilas Boas, foi preso no Ahú junto com o filho, adolescente de 17 anos. Os outros são Jodat Nicolas Kury (Paulo Ney), Jacob Schmidt (Martin Esteche) e Diogo Affonso Gimenez (Ricardo Alberti), estivador que teve papel relevante na comunidade formada na prisão. O elenco se completa com Ithamar Kirchner, que faz um carcereiro.

A maior parte dos diálogos se dá em três celas situadas numa galeria no terceiro andar do presídio. Nesses cubículos, o artista plástico Gustavo Krelling criou interferências a partir de objetos encontrados ali mesmo pela produção do espetáculo – uma cadeira, documentos, um urinol, e cadernos estampados com o rosto de Cristo.

Nas paredes, ele gravou o nome dos encarcerados, assim como palavras de ordem e outras referências. “A cadeia já é um espaço muito cenográfico. Não quis mexer muito. Me inspirei na obra de Artur Barrio, português que se definiu como marginal e usava muito carvão, cordas e objetos assim.”

Não há cenas de agressão, apenas relatos verbais. A tortura era proibida no Ahú – o que não impedia que os presos fossem levados para apanhar em outros locais. Um dos assuntos debatidos pelos personagens – e garimpado por Gehad nos documentos de época – é a concentração de forças rebeldes contrárias à ditadura no Oeste do Paraná, guerrilha em formação desmantelada após delação.

Curitiba, capital do Brasil? Esse fato, ocorrido durante quatro dias em 1969, também é abordado. O grande interesse pelo tema por parte dos 32 membros da equipe faz de Memórias Torturadas uma peça apaixonada. “Coloquei no meu currículo que já lavei chão de cadeia”, brinca a coordenadora de produção, Beth Capponi.

Serviço:
Memórias Torturadas – A Ditadura e o Cárcere no Paraná.

Presídio do Ahú – entrada pelo portão grande (Av. Anita Garibaldi, 750 – Ahú), (41) 8414-8416 e (41) 9633-7169.

Dias 29, 30 e 31 de março e 5, 6 e 7 de abril, às 23h59.

Classificação indicativa: 16 anos.

R$ 30 e R$ 15 (meia-entrada, mais R$ 3 de taxa de coveniência). (GP)

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Fenômeno Kony: redes, manipulação e resposta


Fundadores do grupo Invisible Children com rebeldes Sudaneses eles próprios acusados de graves crimes de guerra contra civis

Como um documentário oportunista tornou-se maior viral da História. Que ele revela sobre ingenuidade na rede e antídotos da colaboração

Por Marina Barros no Outras Palavras

O ineditismo de um vídeo de 29 minutos não é o único fator que faz de KONY2012 um fenômeno da internet. Com mais de 100 milhões de “views” em menos de uma semana, o documentário produzido pela organização humanitária californianaInvisible Children tornou-se o “viral” de difusão mais rápida desde o surgimento da internet, e a campanha de captação de recursos mais bem sucedida dos últimos anos.

Personagens reais, celebridades como Oprah, Rihanna, exércitos de jovens lindos e loiros interagindo com políticos “do bem” compõem uma trama nada simples mas com uma mensagem clara: Precisamos parar KONY! E faremos isso pela mobilização da opinião pública para a autorização da instalação de uma base militar americana em Uganda que vai…parar KONY. (Stop KONY!)

KONY é o vilão, um ditador que, segundo o vídeo, pratica atrocidades contra a população ugandense há mais de 20 anos. Cooptação de menores, mutilações e estupros são alguns exemplos. As imagens e os depoimentos das crianças são de fazer qualquer um marear os olhos.

A organização Invisible Children faz um chamado simples: para continuarem a luta contra o ditador (ou a guerra pela paz na Uganda), é preciso torná-lo conhecido. KONY é o numero 1 da lista da Corte Penal Americana; Torná-lo famoso é o primeiro passo para mobilizar a opinião pública e exigir da Casa Branca o envio de tropas e reforço para o exército local, que luta contra o exército de KONY.

A campanha em si é de tirar o chapéu. Focada em um público jovem e antenado, constrói um mosaico de elementos que tocam o coração: crianças americanas lindas falando sobre o “homem mau”, crianças africanas chorando e pedindo ajuda, artistas e políticos de alta reputação dando credibilidade à causa. Pressão de tempo é outro elemento indispensável: tudo tem que ser feito agora, não há tempo a perder.

A cereja do bolo é o convite para a adesão à campanha: “não queremos o seu dinheiro, queremos sua participação, sua iniciativa em ir às ruas e colar cartazes KONY 2012, juntar-se à multidão no dia 12 de Abril”. A fórmula é infalível e muito bem aplicada, em tempos de Occupy, KONY 2012 é a possibilidade de compra do seu próprio Occupy. Para adquirir o KIT, paga-se 25 dólaras e recebe-se em casa uma caixa contendo cartazes e 2 pulseirinhas, uma para você e outra para presentear.

Até aqui nada de novo, mas vale refletir um pouco sobre KONY 2012.

Um viral que se espalhou com tamanha velocidade foi compartilhado predominantemente por adolescentes meninas (13 a 17) e jovens meninos (18 a 24). Na flor da idade, eles envolveram-se apaixonadamente pela causa de um amigo ugandense da mesma idade – o personagem real que clama por ajuda, gerando uma forte identificação com este público. É inegável o forte engajamento demonstrado por estes adolescentes e jovens, demonstrando sua potência em “fazer justiça pelas próprias mãos”. Mas a ausência de um filtro mais crítico deste público pode ter sido a causa do compartilhamento indiscriminado do vídeo, gerando tamanho sucesso.

Fica evidente que um espectador crítico e atento fará alguns questionamentos ao vídeo. Prova disso foi o “rebote” que este sofreu, com artigos em importantes veículos em menos de dois dias após seu lançamento. A rede não deixa barato, as pessoas não tardaram a buscar a versão oficial, ou melhor, as outras versões. Alguns exemplos podem ser encontrados no Huffington Post e The Guardian.

As críticas frisaram alguns aspectos centrais do viral:

Neo-colonialismo: o vídeo reforça o estereótipo do americano bonzinho que salva a África, “continente de mazelas infinitas”, desconsiderando todas as iniciativas sociais e políticas bem sucedidas de dentro de Uganda. Trata-se de uma postura claramente neo-colonialista. Não são consideradas questões políticas regionais, que agravam o contexto do país. Nem mesmo é mencionada a existência de instituições estabelecidas no pais, como um governo federal, do presidente Yoweri Museveni, que também deveria ser alvo de pressão política. Finalmente, desconsidera-se a responsabilidade das grandes potências pelo que a África é hoje.

Agenda oculta: seria KONY o novo Bin Laden? Qual o interesse em criar uma base militar em Uganda? Quem sabe, descoberta, em 2009, de uma grande reserva de petróleo na região? Talvez, mas eu sempre desconfio de uma agenda oculta, quando há interesses dos Estados Unidos, Reino Unido e ONU. Basta olhar para o Vietnã, o Iraque, a Libia, o Afeganistão e, agora, o Irã. Além de toda a história de apoio a ditaduras militares na América Latina, África e Ásia.

Credibilidade da organização: o relatório financeiro da organização Invisible Children aponta que apenas 30% dos recursos são destinados para as comunidades em Uganda. É claramente o que poderíamos chamar de uma organização social midiática, que vive para e de suas campanhas. Uma reflexão sobre este tema precisa ser aprofundada. O retorno financeiro das campanhas é diretamente proporcional ao investimento em mídia e criação de conteúdo (vídeos, fotos, textos). Não é de hoje que as organizações que adotam investimentos agressivos em imagens e campanhas, são criticadas por captarem mais para seus executivos e publicitários que para os objetos de suas campanhas. Vejam o documentário Enjoy Poverty Please, do artista plástico Renzo Martens, sobre os Médicos sem Fronteira. (http://youtu.be/yREqd8QYtsQ)

A complexidade do funcionamento da rede e das suas relações extrapola uma visão dualista de bem e mau. O episódio KONY 2012 pode ser marcado como uma grande farsa que caiu na rede e virou sucesso. Mas um ilustre desconhecido, David Childerley, chamou atenção para alguns pontos interessantes em seu programa,update 2012 no seu canaldo youtube. No 11/9, lembrou ele, as pessoas demoraram anos e anos para questionar a versão oficial; KONY 2012 levou dois dias para ser desvendado; o próximo viral do gênero não terá mais que seis horas para ser escarafunchado, testado e aprovado – ou não. A rede é implacável, o poder de mobilização é infinito.

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Homens que menstruam


São feitos de sutilezas. Tudo neles está à mão e distante; sublimado e exposto.
Para eles não há diferença entre comédia e tragédia, eles sabem que a vida é teatro.
Armam cenas, cerram cortinas, esperam, afagam, afastam.
Querem solidão suas madrugadas, querem atenção suas impaciências.
Gritam, mas apenas pelo prazer do silêncio.
Despetalam a flor da pele, as lágrimas dos cadernos, os livros das estantes.
Nem sempre estão em ponto de bala, prontos para o combate; muitas vezes são alvos fáceis.
São dóceis, indefesos, furiosos, indomesticáveis.
Colocam as cartas na mesa, viram a mesa, viram o jogo; perdem por muito, vencem por pouco.
Sabem de cor muitas mentiras, mas o que importa são as verdades: as mais duras, as mais inconfessáveis – todas passíveis de arrependimentos.
Têm sempre certeza, certeza de tudo, embora achem que ninguém os entendam.
Brigam, se desculpam, admitem a culpa, colocam a culpa no outro.
Abraçam forte e longamente, acolhem em seus braços todas as possibilidades, todos os afetos.
Querem amor e exigem amar, querem amar e exigem amor.
Insistem em demonstrar força, porém são inseguros, frágeis.
São meninos brincando de ser homens.
Não sentem cólicas, sentem muito.
Sentem ciúmes, se arriscam, pedem provas, se entregam, contradizem.
Exibem suas cicatrizes com orgulho, cultivam algumas feridas como plantas.
Choram trancados no banheiro, enxugam o rosto no lado mais frio da cama, buscam no escuro o calor do acaso.
Suas noites são intermináveis, dolorosas e reconfortantes.
Mas não há ambivalência em suas manhãs.

Do Por Que Você Faz Poema? por indicação da @Angel_Blog

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66 milhões mobilizados para a inércia


Ontem, em mais uma eliminação do Big Brother Brasil, mais de 66 milhões de pessoas em todo o país, se mobilizaram para eleger um dos emparedados da ocasição a retirar-se do programa de maior audiência momentânea da Rede Globo de Televisão.

Vejamos: Mais de sessenta e seis milhões de pessoas é o mesmo ou muito próximo do que a população total da Argentina, Paraguai, Uruguai e Chile. Seria como se todos os habitantes desses países, em poucas horas, ligassem para participar do programa – vale destacar que o recorde do programa é de mais de 155 milhões de votos.

É muita gente para um programa que simplesmente evidencia a vida de pessoas comuns. Mas a crítica não é quanto ao programa ou a vontade das pessoas assistirem. Afinal, cada um escolhe o que quer e tem liberdade para isso.

A questão gira em torno da capacidade ou a falta de capacidade de mobilização da sociedade brasileira para questões, digamos, mais sérias e pontuais.

Se o povo brasileiro tivésse o mesmo entusiamo para a política nacional, os debates no Congresso Nacional ou ainda as discussões promovidas nas esferas da Justiça, supõe-se, que o Brasil estaria em outro nível e a própria população em melhores condições de vida, em todas as áreas.

Um exemplo notório é o projeto Ficha Limpa ou Lei Complementar nº. 135/2010. O Ficha Limpa é uma legislação brasileira originada de um projeto de lei de iniciativa popular que reuniu cerca de 1,3 milhões de assinaturas.

A lei torna inelegível por oito anos um candidato que tiver o mandato cassado, renunciar para evitar a cassação ou for condenado por decisão de órgão colegiado (com mais de um juiz), mesmo que ainda exista a possibilidade de recursos.

O projeto reuniu 1,3 milhões de assinaturas. O Big Brother mobilizou, em apenas uma noite, mais de 66 milhões de pessoas. Para efeito comparativo, apenas em hipótese, seria possível a elaboração de mais de 60 leis originárias da iniciativa população, com mais de um milhão de assinaturas cada uma, de diferentes pessoas, caso direcionássemos a votação do paredão do Big Brother, para a análise e elebaroração de leis, que, certamente, beneficiariam a vida e o dia-a-dia dos cidadãos, influenciando em áreas como saúde, educação, meio ambiente e economia.

Um programa como o Big Brother talvez desvie a verdadeira atenção da população para questões sérias do universo da política. Isso é um problema, mas há tempo para avaliarmos nossas prioridades.

Quem quiser assistir ao programa, siga a assiti-lo, pois o livre arbítrio deve sempre prevalecer. Todavia, façamos uma breve reflexão e uma análise de consciência quanto ao nosso verdadeiro papel na sociedade e se não estamos fugindo, de alguma forma, de responsabilidades. É só uma questão de direcionarmos melhor os esforços.

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ECAD quer cobrar por música em blog (Adeus Boteko)


Por Renata Mielli, no blog Janela sobre a palavra:

Era só o que me faltava…. uso esta expressão para não utilizar outra, mais chula que começa com P. O Ecad agora começou a cobrar direito autoral de vídeos musicais publicados nos blogs???????!!!!!!!!!

Que o Ecad é um Escritório Central de Amor ao Dinheiro isso todo mundo já sabe. Eu que já fui casada com um músico sei muito bem o que isso significa.

Mas esta ação extrapolou todos os limites. O argumento do órgão que justifica a iniciativa é que é preciso pagar o direito autoral pela reprodução pública de obra musical.

De acordo com o Ecad, “não existe nenhum trabalho de cobrança de direito autoral focado em blogs e sites, porém, todo usuário que executa música publicamente em site/blog ao ser captado pelo setor responsável do Ecad, pode receber um contato”, justifica a assessoria do escritório. “O blog foi captado em um trabalho rotineiro e recebeu o contato. Como dito anteriormente, caso haja execução pública musical, há obrigatoriedade do pagamento da retribuição autoral”.

A cobrança é mais de meio salário mínimo… R$ 352,00 para cada “retransmissão musical”. E alguém acha que o Chico vai receber um mísero centavo deste dinheiro porque o seu vídeo foi veiculado no blog pessoal de alguém??? Não estamos nem falando de sites ou portais de notícias, estamos falando de um blog!!!!

Estou perplexa!!!!

Para piorar o Ecad já recebe o direito autoral pela “retransmissão musical” depois de firmar acordo com o Google. Ou seja, a cobrança é dupla para a mesma “retransmissão”.

O Ecad está tentando engrossar o caldo da SOPA, isso sim!

PS do Rodopiou: A medida afetaria o Blog Rodopiou que tem uma sessão de músicas indicadas pelos leitores para outros leitores curtirem, o Boteko, que geralmente, tem musicas nacionais.

PS do Rodopiou 2: ECAD, vai arranjar algo para fazer.

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UDN, ops, PSDB


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Itália vai cancelar mordomia tributária da Igreja Católica. Alô alô Brasil!


Sempre ouvi dizer que é na crise que surgem as melhores idéias e, nesta sexta, a Itália, país sede do catolicismo, que atravessa uma das maiores crises da história, deu uma prova de que isso é verdade. Vejam só:

O governo italiano anunciou medidas que vão acabar com as mordomias tributárias para propriedades pertencentes à Igreja Católica, o que deve colocar até 600 milhões de euros a mais nos cofres públicos do país europeu.

Em dezembro, o primeiro-ministro italiano, Mario Monti, pediu aos italianos que fizessem sacrifícios para salvar o país da crise da dívida que afeta boa parte do continente europeu.

Horas após a aprovação do pacote, mais de 130 mil pessoas aderiram a uma petição online exigindo o fim dos privilégios tributários para a Igreja, que é dona de muitos locais que gozam de isenção tributária por serem parcialmente ocupados por freiras e padres, ou por simplesmente terem uma capela. A nova lei elimina essa brecha, que isentava de impostos muitos estabelecimentos predominantemente comerciais. O pacote deve ser votado na semana que vem pelo Senado e deverá, depois, seguir para a Câmara.

Aqui no Brasil, muitas igrejas movimentam quantidade de dinheiro comparável à grandes empresas, só que todas tem a mordomia de não pagar imposto sobre aquilo que arrecadam, pois são considerados “entidades filantrópicas”. Pagam apenas indiretamente, e “não prestam contas” do devido fim que o dinheiro leva, ou você meu amigo – que trabalha 4 meses para pagar imposto – que paga dízimo, sabe realmente para onde vai o dinheiro de sua contribuição?

É claro que não vou generalizar, muitos hospitais, casas de recuperação para dependentes químicos e, diversas outras obras assistenciais são mantidas por igrejas, mas vez ou outra, vemos que lá se vai o dinheiro do dízimo/contribuição em coisas que não necessariamente tem a ver com a moral religiosa e que em seriam desnecessárias. Por exemplo, o carro abaixo que foi adquirido em nome da Igreja universal do Reino de Deus – gastos idiotas da Igreja Universal dariam vários posts – ou o megalomaníaco e monstruoso templo que a mesma igreja está construindo em um bairro de São Paulo, que custará R$360 milhões.

Um carro de R$140 mil para Jesus.

A Igreja Universal do Reino de Deus, liderada pelo controverso Bispo Edir Macedo, anunciou seus planos de construir uma réplica gigante do Templo de Salomão. A estimativa de custo é de R$360 milhões, 55 metros de altura (18 andares), e com lugar para 10. 000 pessoas. O plano também conta com um estacionamento para 1.000 carros, estúdios de TV e rádio, e salas com espaço para 1.300 alunos. A Igreja Universal já gastou em torno de R$ 14,4 milhões para importar pedras de Israel. De acordo com o jornal britânico, The Guardian, o templo será inspirado no Templo do Rei Salomão e contará uma replica da Arca da Aliança no centro do santuário.

 

Por que a Igreja Universal ao invés de construir um monstruoso Templo de Salomão, não constrói um imenso hospital com os R$360 milhões? Não seria mais condizente com moral cristã?

Aí vai a pergunta, para abrir o debate: Você leitor o que acha: Igrejas deveriam pagar imposto e terem mais fiscalização sobre suas movimentações?

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